Em live do Especial Enem, Paulo Luiz Ramos e Gabriel Carvalho deram dicas ao público on-line e confirmaram a tendência conteudista da prova.

Faltando exatos dois meses para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), é hora de revisão e treinamento por meio das provas de edições anteriores. E tudo sem calculadora! É o que garantem Paulo Luiz Ramos e Gabriel Carvalho, professores de matemática do Centro Educacional Sigma. Eles participaram, nesta terça-feira (4), da primeira live do Especial Enem do Correio, transmitida pelo Facebook do Eu, Estudante. O bate-papo com a apresentadora Talita de Souza rendeu um encontro leve e informativo sobre as 45 questões de matemática e suas tecnologias — e a certeza de que é preciso estar preparado para uma avaliação exigente e conteudista.

Mas afinal, em matemática, o que vem a ser a tal “avaliação conteudista”? “É a tendência nos últimos anos: aumentar o conteúdo cobrado e aprofundá-lo. Essa foi a característica dos últimos anos e só deve aumentar em 2018”, afirmou Paulo Luiz Ramos. “Até 2015, o nível de cobrança era um. Dali em diante, passou a ser outro, bem maior”, situa Gabriel Carvalho. “Essa pegada vai continuar. Até mesmo o fato dos candidatos terem meia hora a mais para fazer o exame este ano é um indicativo disso. Em 2017, o dificuldade até assustou os candidatos, mas vai ser assim, sempre para cima!” 

Para a prova de matemática e suas tecnologias, aplicada em 11 de novembro conjuntamente com outras 45 questões de ciências da natureza (física, química e biologia), os estudantes vão dispor, pela primeira vez, de 4h30. Os professores do Sigma não negam a dificuldade prevista para esse dia. “Mesmo nas questões simples, não basta apenas interpretação de texto para resolver”, esclarece Gabriel. Aquela história de “vou ler o texto na hora e deduzir a resposta” não existe mais, se é que um dia existiu, no Enem.
 
Dois meses restantes são de treino e revisão
 
É hora de treinar, garantem os docentes. Como bom professor de matemática, Gabriel Carvalho já fez as contas: se, a partir de hoje, o estudante fizer 10 questões diárias de edições anteriores do exame, ele terá fechado todas as provas de 2010 a 2017. Desse modo, poderá mapear o que mais cai e qual a abordagem correta. “É hora de revisar conteúdo, questão por questão. Para quem não está na escola ou cursinho, tem muita videoaula no Youtube e sites com simulados on-line para treinar. Se souber selecionar o bom conteúdo, pode ser um meio excelente.”

Para Paulo Luiz Ramos, as matérias mais cobradas seguem as mesmas. Geometria plana, geometria espacial, proporcionalidade, análise de gráficos em médias e estatísticas têm espaço garantido neste ano. Juntas, calculam os professores, ocupam cerca de 50% da avaliação. “O conteúdo mais comum é o da primeira série do ensino médio. Além disso, tem muito ainda do ensino fundamental”, disse Paulo.

Gabriel Carvalho alerta, contudo, para temas que vêm, gradativamente, ganhando espaço no exame. “Logaritmo esponencial costumava surgir a cada dois anos e, agora, está aparecendo anualmente”, exemplifica.

Administração de tempo
 
Matemática e ciências da natureza trarão, somadas, 90 questões para o candidato. A média é de três minutos para cada uma das respostas. A corrida contra o tempo exigirá de cada “maratonista” paciência e inteligência estratégica. Sem relógios e com o celular desligado, é bom seguir a dica curiosa do professor Gabriel Carvalho: “O aplicador da prova põe o tempo no quadro negro a cada meia hora. Portanto, a cada intervalo desses, o candidato precisa ter feito aproximadamente 10 questões. Treine em casa nesses mesmos parâmetros.” 

Além disso, vale a pena “não levar para o lado pessoal”, como define o professor. Se a questão é muito complicada e a resolução não está saindo, não insista além do razoável: para a Teoria de Resposta ao Item (TRI), método de cálculo de nota do exame, não vale a pena acertar uma questão difícil e, em contrapartida, não sobrar tempo para as mais fáceis. “A TRI vai encontrar incoerência nas suas respostas e entender que foi um ‘chute’. Desse modo, o candidato vai ganhar menos por aquela questão difícil, mesmo que tenha acertado. Deixe a questão difícil para o final”, esclarece Paulo Luiz Ramos. 

Também não vale, na preparação, usar o artifício da calculadora, proibida no Enem. “No dia decisivo, não tem calculadora. É simples assim. O aluno acredita que pode acelerar, 'ganhar' tempo em casa e, na hora do exame, fazer diferente. Não é possível”, sintetizou Paulo. O professor, inclusive, escreveu um artigo, publicado no Correio nesta segunda-feira (3), sobre o tema.
 
Uma leitura crítica e criativa
 
Para os professores do Sigma, o exame exige, acima de tudo, habilidade e criatividade do candidato. Neste aspecto, a dica é ler primeiro a indagação que precede os itens para, em seguida, ler o texto motivador de abertura. Interpretação de texto é fundamental. “É preciso tirar da cabeça do aluno que a aplicação de uma fórmula, por si só, vai resolver todos os problemas. Matemática não é mais assim. Antigamente, era possível fazer isto com algum sucesso em vestibulares, mas hoje mudou, especialmente no Enem. Por isso, há tantos textos motivadores abrindo as questões, de modo a contextualizar o leitor e colocá-lo num plano mais real”, afirmou Paulo Luiz Ramos.

Gabriel Carvalho completa: “A matemática é uma ciência criativa. Muitos acreditam que é só decorar, o que não é verdade. É como um artista que executa um trabalho criativo, adotando diversas linhas de raciocínio.” Se não deu por um caminho, pense em outro. “Isto é criatividade. Muitos alunos acabam na primeira linha criativa. Não é bem assim. Funciona por tentativa e erro”, afirmou Gabriel Carvalho. “E por persistência!”, concluiu Paulo.
 

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